ACERVO · 45 ANOS

Artistas da Galeria Neupergama

Ao longo de 45 anos, a Galeria Neupergama construiu relações profundas com alguns dos artistas mais relevantes da arte contemporânea portuguesa. Cada nome representa uma carreira de excelência — e uma história de cumplicidade com este espaço em Torres Novas. Muitas destas obras estão disponíveis para aquisição.

Álvaro Lapa
Pintura · Surrealismo / marginal

Pintor e escritor português, autodidata, considerado um dos nomes maiores da pintura portuguesa contemporânea. Formou-se em Filosofia (Faculdade de Letras do Porto, 1975) e nunca frequentou Belas-Artes, construindo um percurso deliberadamente à margem dos circuitos convencionais. Em 1961 viajou a Paris, onde contactou com pintores próximos do surrealismo e com a arte norte-americana; incentivado por António Areal, começou a pintar no ano seguinte. A partir de meados dos anos 60, a sua obra estrutura-se em séries narrativas e faz da palavra escrita um elemento central da composição. Foi professor de Estética na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.

Obras e séries notáveis: Séries “Que Horas São Que Horas”, “Os Criminosos e as Suas Propriedades”, “Campésticos”; livros “Raso como o Chão” (1977), “Barulheira”, “Balança”.

Coleções e instituições: Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian; Fundação de Serralves; principais coleções públicas portuguesas.

Prémios e exposições de referência: Grande Prémio EDP de Pintura (2004). Retrospetivas em Serralves (1994) e no Museu da Cidade de Lisboa (2006).

Pintura · Curadoria

Pintor e curador. Licenciou-se em Artes Plásticas – Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (2000) e é doutorado em História da Arte pela Universitat de les Illes Balears, Palma de Maiorca (2020). A sua pintura é introspectiva e reflexiva, explorando a memória, o gesto e temas como o corpo, o erótico, o religioso e o filosófico. Figura ativa na promoção das artes em Portugal, foi diretor artístico da Fundação Cupertino de Miranda (2002–2018) e curador da Galeria Municipal Ala da Frente, em Famalicão; mais recentemente, diretor do Museu Nogueira da Silva, em Braga.

Obras e séries notáveis: Políptico “Contemplação Particular” (Centro Cultural de Belém, 2017), inspirado nas “Tentações de Santo Antão” de Flaubert; “Encarnar a Sombra” (Centro Cultural de Cascais, 2023).

Coleções e instituições: Fundação Cupertino de Miranda; coleções institucionais e particulares.

Prémios e exposições de referência: Prémio Revelação Júlio Resende (1997); 1.º Prémio de Pintura Arte Jovem Famalicense (1999); Prémio Benjamim Salgado (2000); Prémio de aquisição Caja Extremadura (2004).

Desenho e pintura

Pintora, gravadora e ilustradora, uma das mais destacadas da sua geração. Frequentou o curso de Pintura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (1976–1981) e expõe individualmente desde 1983. A sua obra, de traço delicado e profundamente expressivo, está fortemente ligada à literatura e a universos simbólicos, bíblicos e mitológicos. Vive e trabalha em Lisboa.

Obras e séries notáveis: Ilustração do “Fausto” de Goethe (Círculo de Leitores) e de obras de Camões e Herberto Helder; painel de azulejo “Navigatio Sancti Brendani Abbatis”.

Coleções e instituições: Coleção António Cachola; representação portuguesa à 42.ª Bienal de Veneza (1986).

Joana Rego Pintura · Figuração e colagem

Pintora e docente do ensino superior. Licenciou-se pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e concluiu o doutoramento na mesma instituição (2017); é professora na ESAD desde 1999. O seu trabalho combina elementos figurativos com abstração e colagem, em telas frequentemente vibrantes e ricas em camadas narrativas.

Coleções e instituições: Fundação PLMJ; coleção do Parlamento Europeu; coleções institucionais.

Prémios e exposições de referência: Bolsa da Comissão Tripartida (IAC, Gulbenkian e FLAD) para exposição individual em Roterdão, no âmbito do projeto Porto–Roterdão Capitais Europeias da Cultura (2001).

João Vieira · Performance e instalação

Artista plástico, figura-chave da arte portuguesa desde o final dos anos 1950 e um dos pioneiros da performance e da instalação no país. Membro do grupo KWY (Paris), desenvolveu uma obra marcada por dois temas centrais: o corpo e a letra. A partir da forma do corpo chegou à letra, transformando alfabetos e textos em objetos tridimensionais e em “ações-espectáculo”. Foi também cenógrafo de relevo no teatro português dos anos 60 e 70.

Obras e séries notáveis: “O Espírito da Letra” (1970, performance e instalação); “Uma Rosa É” (1968); “A” grande [Capital “A”] (1970).

Coleções e instituições: CAM–Gulbenkian; Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC–Museu do Chiado); Coleção de Serralves; Caixa Geral de Depósitos.

Prémios e exposições de referência: Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (2009, póstumo); Prémio Nacional de Teatro (1971). Antológicas: Gulbenkian (1985), Serralves (2002).

Jorge Martins · Pintura

Um dos pintores portugueses de maior projeção internacional. Frequentou os cursos de Arquitetura e Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e iniciou-se na gravura no final dos anos 50. Em 1961 partiu para Paris, num longo exílio que se prolongou até 1986 (interrompido por uma estadia em Nova Iorque, 1975–1976), regressando definitivamente a Portugal em 1991. A luz é o tema central da sua investigação — como presença, como modeladora dos objetos e como jogo entre revelação e ocultação —, o que confere à sua obra uma qualidade quase cinematográfica e enigmática.

Obras e séries notáveis: “Eros Cromático”; “Mémoires d’un électron” (2003); “Os Sonetos de Shakespeare”.

Coleções e instituições: CAM–Gulbenkian; Coleção Berardo; coleções nacionais e internacionais.

Prémios e exposições de referência: Representação portuguesa à 18.ª Bienal de São Paulo (1985). Exposições individuais no Centre Georges Pompidou (1978), Fundação Calouste Gulbenkian (1983, 1988, 1993), Culturgest (2001) e Centro Cultural de Belém (2006).

João Vieira · Pintura e poesia · Surrealismo

Figura máxima do Surrealismo em Portugal — poeta e pintor, defensor intransigente da liberdade, do amor e da poesia. Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio e, numa viagem a Paris em 1947, conheceu André Breton, tornando-se a força motriz do movimento surrealista português. Foi uma das figuras centrais do Grupo Surrealista de Lisboa e, depois, do grupo dissidente “Os Surrealistas”, que fundou com Cruzeiro Seixas e António Maria Lisboa. A sua obra plástica — pintura, colagem, “soprografias” e “cadavres-exquis” — recria uma visão onírica do mundo, muitas vezes associando texto e imagem.

Obras e séries notáveis: Poesia: “Corpo Visível”, “Pena Capital”, “Nobilíssima Visão”, “Manual de Prestidigitação”; antologia “A Intervenção Surrealista”. Artes plásticas: colagens e soprografias.

Coleções e instituições: Fundação Calouste Gulbenkian; Centro Português de Serigrafia; principais coleções públicas e privadas nacionais.

Prémios e exposições de referência: Participou na “1.ª Exposição dos Surrealistas” (Galeria Pathé, Lisboa, 1949). Grandes antológicas na Fundação Calouste Gulbenkian (1995) e no Museu de Serralves.

João Vieira · Pintura e ilustração · Murais

Jaime Martins Barata foi um pintor e ilustrador fundamental, associado à tradição figurativa histórica. É especialmente conhecido pelos grandes murais e frescos que decoram edifícios públicos por todo o país. Foi também uma figura central da arte gráfica portuguesa: primeiro consultor artístico dos CTT (a partir de 1947), desenhou numerosos selos comemorativos, bem como notas, moedas e medalhas.

Obras e séries notáveis: Murais e frescos em edifícios públicos; selo comemorativo da Exposição do Mundo Português (1940); séries de selos dos CTT; notas do Banco de Angola (1949); motivos náuticos da cunhagem portuguesa (anos 60).

Coleções e instituições: Edifícios públicos e coleções do Estado; acervo filatélico e numismático dos CTT e do Banco de Portugal.

Prémios e exposições de referência: Primeiro Consultor Artístico dos CTT (1947–1969).

Pintura de Mário Cesariny na Galeria Neupergama
Nikias Skapinakis · Pintura figurativa

Filho de pai grego e mãe portuguesa, foi um dos grandes nomes da pintura figurativa portuguesa e uma das figuras mais inventivas da arte contemporânea nacional. Autodidata, frequentou o curso de Arquitetura, que abandonou por motivos políticos, para se dedicar à pintura. Começou a expor em 1948 e desenvolveu uma obra de mais de seis décadas, atravessando várias fases — de um paisagismo lírico à absorção de elementos da pop art britânica. Ficou célebre pelos retratos icónicos e por vezes irónicos de figuras da vida intelectual portuguesa. Resistente antifascista.

Obras e séries notáveis: “Encontro de Natália Correia com Fernanda Botelho e Maria João Pires” (1974); séries “Quartos Imaginários” (2006) e “Paisagens Ocultas – Apologia da Pintura Pura” (2017).

Coleções e instituições: CAM–Gulbenkian (36 obras na Coleção Moderna); Museu Coleção Berardo; principais coleções do país.

Prémios e exposições de referência: Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (2005); Prémio AICA/SEC (1990). Retrospetivas no Museu do Chiado (1996), Serralves (2000) e Museu Coleção Berardo (2012).

Pedro Calapez · Pintura contemporânea

Um dos nomes mais fortes da pintura contemporânea portuguesa. Depois de estudar Engenharia e de trabalhar como fotógrafo, formou-se na Sociedade Nacional de Belas-Artes e na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, afirmando-se como pintor nos anos 80. O desenho é a prática fundadora da sua obra, marcada pelo rigor metodológico e por uma forte referência arquitetónica. Trabalha frequentemente em grandes formatos e em composições agrupadas, usando o alumínio como suporte e ultrapassando os limites da pintura em direção à instalação. Foi professor no Ar.Co (1986–1998).

Obras e séries notáveis: Séries em alumínio e composições murais; cenografias; obras públicas, incluindo uma praça para a Expo’98 e um painel cerâmico para o Metropolitano de Lisboa.

Coleções e instituições: Museo Reina Sofía (Madrid); coleções nacionais e internacionais.

Prémios e exposições de referência: Prémio União Latina (1990). Participação na Bienal de Veneza (1986).

Rui Sanches · Escultura

Um dos escultores mais importantes de Portugal. Depois de abandonar Medicina, formou-se no Ar.Co, no Goldsmiths’ College (Londres, 1977–1980) e na Universidade de Yale (EUA, 1980–1982), onde obteve o mestrado em escultura. A sua obra usa preferencialmente contraplacado e materiais industriais — madeira, vidro, metal — para construir formas geométricas complexas que dialogam com a tradição pictórica ocidental. Nos anos 80 destacou-se pela desconstrução de pinturas neoclássicas; nas décadas seguintes, a sua escultura tornou-se mais orgânica e sedimentar, quase paisagística.

Obras e séries notáveis: “Et in Arcadia Ego”; séries de esculturas em contraplacado; busto da República para a Fundação EDP (2010).

Coleções e instituições: CAM–Gulbenkian; principais coleções portuguesas.

Prémios e exposições de referência: Diretor-adjunto do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (1994–1998). Antológicas no Palácio da Galeria, Tavira (2010) e no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, Bragança (2011).

Sofia Areal · Pintura · Abstração lírica

Filha do pintor António Areal, é uma das pintoras mais reconhecidas da atualidade. Iniciou a formação no Reino Unido (Hertfordshire College of Art & Design) e frequentou depois os ateliers de gravura e pintura do Ar.Co, em Lisboa (1981–1983). O seu trabalho vive de uma abstração lírica de cor intensa, formas orgânicas e não geométricas, e de um forte sentido de ritmo e gesto. Para além da pintura e do desenho, desenvolve investigação em colagem, ilustração, design têxtil e cenografia. Expõe individualmente desde 1990.

Obras e séries notáveis: Exposição antológica na Cordoaria Nacional (2011); mural de azulejos junto à Assembleia Municipal de Lisboa (2018); documentário “Um Gabinete Anti-Dor”, de Jorge Silva Melo.

Coleções e instituições: Coleção António Cachola; MEIAC (Badajoz); coleções nacionais.

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